quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Empresa desenvolve modelo de educação em gestão de riscos

Ilustração: Beto Soares/Revista Proteção

A sigla G-MIRM representa um projeto denominado Global Minerals Industry Risk Management (Gerenciamento de Risco na Indústria Mineral Global), liderado pelo professor Jim Joy, da Universidade de Queensland (Austrália). Esse projeto en­volve diversas universidades do ­mundo: a Escola de ­Mineração de Camborne, no Rei­no Unido; na África do Sul a Universidade de Witwa­ters­rand, a Universidade de Cape Town e a Uni­versidade de Pretória; a Universidade de Utah, nos Estados Unidos; a Universidade Laurentian, no Canadá; a Universidade de São Paulo, no ­Brasil, e a Universidade Católica del Norte, no Chi­le. A Universidade de Queensland representa a Aus­trália.

Os principais propósitos desse projeto são promover uma mudança no ge­rencia­mento de risco nas empresas e ­questionar e influenciar a maneira que a gerência to­ma decisões, se comporta, lidera e ­convive com os riscos.

O projeto G-MIRM é produto de uma parceria iniciada pela empresa de minera­ção multinacional Anglo American, que re­conheceu a necessidade de mudar seu de­sempenho em segurança. Em função dis­so, em 2007, a CEO (chief executive officer - di­re­tora executiva) da empresa, Cynthia Car­roll, reuniu 120 de seus principais executivos para reexaminar a abordagem de segurança em 2007.

Como consequência dessa reunião, em ja­neiro de 2008 a Anglo American associou-se ao professor Jim Joy do MISHC (Mineral Industry Sa­fety and Health Cen­tre - Centro de Se­gu­rança e Saúde da Indústria Mineral) da Universidade de Que­ens­land para liderar o gerenciamento de risco de segurança. Dessa parceria, foi de­senvolvido o conteúdo para o programa de um curso de gerenciamento de risco de segurança na mineração, envolvendo as­pectos de treinamento e de educação.

Esses cursos que estão sendo desenvolvidos para a Anglo American são ministrados por grupos selecionados em nove universidades localizadas em sete países, sendo que no Brasil foi selecionada a USP (U­niversidade de São Paulo). Dentro da USP foi escolhido o Departamento de En­genharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica - PMI/EPUSP.

Esse Departamento, por meio do La­casemin (Laboratório de Controle Ambi­en­tal, Higiene e Segurança na Mineração), tem destacada atuação nas áreas de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupa­cio­nal da Escola Politécnica, com cursos na graduação, de mestrado e de doutorado. A­lém disso, também apoia há mais de 12 anos cursos de especialização e treinamentos em Engenharia de Segurança do Tra­balho (duração de dois anos, 617 horas) e Higiene Ocupacional (duração de um ano, 360 horas). Esses cursos são oferecidos pelo PECE (Programa de Educação Continuada) da EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

O Lacasemin, criado em 1989, conta a­tualmente com a participação de 35 professores, inúmeros deles de renome nacional e internacional, e com pesquisadores que desenvolvem importantes trabalhos na área de Higiene e Segurança do Tra­balho. Além disso, também conta com a colaboração de destacados profissionais consultores dessas áreas.

Os cursos e treinamentos são oferecidos no modelo presencial, no modelo EAD (Ensino e Aprendizado à Distância) e na com­binação entre os dois, chamado de "modelo híbrido".

No Lacasemin foi de­senvolvido o pioneiro software LAV (Laboratório Virtual) para o aprendizado da instrumentação em Higiene Ocupacional.

Piloto
Em dezembro de 2007, o professor Jim Joy ministrou o primeiro piloto de cursos cha­mados de A4 (nível de diretoria - 16 ho­ras) na Austrália e, em fevereiro de 2008, a USP participou do piloto do curso cha­mado de A3 (nível de gerência e/ou for­mação superior - 40 horas) na África do Sul. Além desses dois tipos de cursos, há também um curso chamado de A2 (nível de supervisão - 20 horas) e outro de A1 (demais níveis e funções não cobertos pelo A4, A3 e A2 - 4 horas).

Pelo Lacasemin participaram desse encontro, ocorrido na África do Sul, Sérgio Médici de Es­ton e Vicente Tucci Filho. O convite ao pro­fessor Sérgio foi feito por Bruno Pelli, ex-aluno de graduação, e Ju­liana Rehfeld, ex-aluna de pós-graduação, que ocupavam cargos na Anglo Ame­rican associados a esse projeto. Também participou pela empresa Anglo A­merican o funcionário Waldomiro Fer­nan­des Filho.

Nessa oportunidade do curso piloto na África do Sul, ficou decidi­do que a USP seria a sede dos treinamentos dos cursos A3 para funcionários da An­glo American no Brasil e que outras universidades se­dia­riam os treinamentos em seus respecti­vos países.

Em junho de 2008 o professor Jim Joy es­teve na USP ministrando um curso de A3 para selecionar os instrutores que o re­presentariam nos cursos a serem replicados para as unidades da Anglo Ame­ri­can no Brasil. Foram selecionados Ales­sandra Isabella Martins, Reginaldo Pedreira Lapa, Mario Luiz Fantazzini, Guglielmo Taralli e Sérgio Médici de Eston.

Em novembro de 2008 essa equipe iniciou formalmente a replicação do treinamento A3 para 25 turmas de funcionários com cargos de gerência e/ou de nível superior da empresa Anglo American no Bra­sil, para cerca de 600 pessoas de diferentes unidades produtivas, tais como São Paulo, Cubatão, Catalão, Ni­quelândia e Barro Alto. Pouco tempo depois, com a a­quisição pela Anglo American de unidades associadas ao minério de ferro, foram incluídas as unidades do Amapá e do chamado "Sistema Minas-Rio".


Autores: Sérgio Médici de Eston, Wilson Siguemasa Iramina, Marco Leandro Arantes, Alessandra Isabella S. Martins e Reginaldo Pedreira Lapa

Nenhum comentário:

Postar um comentário